Superlotação, drogas, rebeliões e até
crianças e mulheres em estabelecimentos exclusivos para homens foram
constatados nas penitenciárias do Ceará. Os problemas foram apontados na
pesquisa “Visão do Ministério Público sobre o Sistema Prisional
Brasileiro”, divulgada na última sexta-feira (28).
No Ceará, foram inspecionados 106
estabelecimentos. Os locais destinados a homens e mulheres têm
capacidade para 2.671 pessoas, mas abrigam 3.566 presos. Além da
superlotação, há estabelecimento masculino que abriga 34 mulheres; e
outro com vagas para crianças, segundo a pesquisa.
A Secretaria de Justiça do Ceará
(Sejus) nega a frequência de crianças em penitenciárias. Além disso,
segundo a Sejus, não há mistura de homens e mulheres em um mesmo
presídio. Mesmo assim, o órgão informou que em alguns municípios do
interior do estado há presídios divididos em duas alas (feminina e
masculina), mas ressaltou que os presos (mulheres e homens) não
frequentam o mesmo ambiente.
Fugas e rebeliões
Entre março de 2012 e fevereiro de 2013,
foram registradas seis rebeliões nas penitenciárias cearenses, mesmo
número contabilizado na Paraíba e Rio Grande do Norte. Ocorreram ainda
232 fugas e 99 recapturas. Os casos em que presos, valendo-se de saída
temporária não vigiada, não retornam na data marcada, são computados
como fuga ou evasão.
Houve apreensão de drogas em 21 locais.
Em todo o Brasil, o número subiu para 654 estabelecimentos, o que
representa cerca de 40% dos locais inspecionados. Enquanto foram
contabilizados 110 homicídios de presos no país, no Ceará foram
registrados 12.
Separação
As inspeções verificaram também que a
maior parte dos estabelecimentos não faz as separações dos presos,
previsto na Lei de Execuções Penais. Segundo o relatório, 94
estabelecimentos não separam presos provisórios de definitivos; 60 não
separam pessoas que estão cumprindo penas em regimes diferentes (aberto,
semiaberto, fechado); 92 não separam presos primários dos reincidentes.
Em 85 locais, não há separação por
periculosidade ou conforme o delito cometido; em 87, os presos não são
separados conforme facções criminosas. Há grupos ou facções criminosos
identificados em 9 estabelecimentos inspecionados no Ceará.
O presidente da Comissão de Sistema
Carcerário do CNMP, conselheiro Mario Bonsaglia, destaca que o relatório
traz um panorama com níveis inéditos de detalhamento. “Com este
relatório, espera o CNMP colaborar para a reafirmação dos ideais de uma
sociedade justa e solidária”, finaliza.
Fonte: Tribuna do Ceará
Nenhum comentário:
Postar um comentário