A árvore é frondosa, chega a ter mais de
15 metros de altura e é na folha que está o principal valor comercial,
de onde se extrai a cera a partir do mês de setembro.
Apesar dos pés a perder de vista, este
ano, a produção deve ser menor. A carnaúba é uma planta muito
sustentável, não precisa ser irrigada e nem de grandes cuidados. Além
disso, ela se deu muito bem no solo do sertão, mas tanta resistência tem
limite. Porconta da seca com dois anos de pouca chuva, a produtividade
diminuiu.
Francisco de Assis Ferreira tem 100
hectares com carnaúba e vê com tristeza essa situação. Além disso, o
produtor enfrenta ainda outro problema, a falta de mão-de-obra, já que
muitos produtores deixaram o sertão por conta da estiagem.
Para quem permanece na terra, o trabalho
começa cedo. O corte das folhas é nas primeiras horas do dia. Os
vareiros, como são chamados, rapidamente derrubam as folhas e já que
falta gente para trabalhar, os ganhos aumentaram.
Folhas no chão, outro grupo de
agricultores segue juntando a carnaúba e organizando os fardos que serão
transportados para área de secagem. As folhas perdem o verde e ficam no
ponto para serem moídas em 15 dias.
O pó branco precisa ser diluído para
virar cera. Muitos agricultores ainda fazem esse processo de forma bem
artesanal. O pó fica um longo tempo nas caldeiras em alta temperatura
até chegar no ponto de ser colocado nas formas e virar tabletes. A
partir daí, a cera está pronta para ir para as indústrias,
principalmente de cosméticos.
Do começo do ano, até agora, o Ceará exportou US$ 29 milhões em cera de carnaúba.
Toda essa atividade, apesar da seca e da
migração dos sertanejos, ainda sobrevive em meios às dificuldades. A
esperança é que venham mais incentivos, já que a carnaúba é praticamente
a única atividade que garante o sustento do homem do campo em tempos de
seca.
Fonte: G1 CE

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